Olá Cambada,
Após algum tempo de ausência, eis que volto para vos contar a minha última experiência: Queda Livre. Foi algo fantástico e eu nunca pensei ter a coragem para fazer tal coisa.
Tudo começou porque eu comentei com as minhas amigas que um dia gostaria de andar de balão. Elas disseram que também gostavam, mas que preferiam algo com mais adrenalina. Um dia, enquanto eu estava a trabalhar, elas decidiram ir a uma lojinha da "Vida é Bela" e encontraram um pack de Queda-Livre. Telefonaram-me para me dizer o preço e se eu alinhava numa ou noutra altura. Eu, sem perceber muito o que estavam a dizer, respondi-lhes: "Eu confio em vocês, por isso comprem o que acharem melhor". E foi assim que compraram um pacote para fazer Queda Livre a 4200 metros de altura.
Penso que nenhuma de nós tomou realmente consciência do salto que iria fazer. Só alguns dias antes é que começamos a ficar ligeiramente ansiosas, especialmente, depois de alguns relatos de amigos que já tinham saltado. Eu, confesso, comecei a entrar em pânico no dia anterior. Achei mesmo que não iria ser capaz de me lançar de um avião.
Dia 31 de Julho, às 8h00 da manhã já estávamos a caminho de Figueira dos Cavaleiros. As minhas amigas, Cristina e Ângela, gozavam com a minha cara de pânico. Chegámos ao local e os nervos apoderaram-se do meu corpo. A casa de banho naquele momento tornou-se a minha melhor amiga.
Desde o momento em que chegámos até ao salto passou uma hora e meia. Tivemos um briefing, equiparam-nos, prepraram-nos, tirámos fotos e preparámos o nosso estômago para o que aí vinha.
O meu instrutor era o Hélder, do norte, que me deu certa confiança, pois era o professor da escola. Mesmo assim eu estava cheia de medo. Com mais medo fiquei quando a porta da avionete onde íamos se abriu e os primeiros dois saltaram. Eu apenas os vi a desaparecerem. Assustador. Foi a vez da Cristina. Ouvi um salto e depois ela desapareceu. Avisei o meu instrutor que quando estou muito nervosa e assustada digo muitas asneiras e grito muito, mas mesmo muito. Aproximámo-nos da porta, o pânico tomou conta de mim. Tentei não olhar para o chão, embora fosse difícil resistir àquela tentação. Quando dei por mim, já estava a cair no vazio. De braços bem abertos e pernas levantadas para trás, a posição banana, temos uma sensação de liberdade, vemos tudo ao longe pequeno, o vento parece que quer arrancar-nos a pele. Às vezes, tinha dificuldade em respirar e a queda livre é mesmo a grande velocidade. Eu aproveitei cada momento dessa queda livre. De cada vez que o Hélder virava à esquerda ou à direita o meu estômago encolhia-se. Após um minuto, abre-se o pára-quedas e sentimos um grande puxão para cima. A velocidade acaba, a adrenalina diminui e aprecia-se a paisagem e a tranquilidade dos céus. O Hélder deixou-me tomar as "rédeas" do pára-quedas e assim tive um pequeno prazer que me deixou viciada. Aterrámos, fui ter com as minhas amigas e estávamos todas radiantes com o salto. Quem sofreu mais até foi o meu instrutor que me disse que eu gritava muito e que tinha uns bons pulmões! É verdade! Eu gritei mesmo muito!
Há que viver a vida na sua plenitude, ter estas experiências enquanto somos jovens e os nossos corações aguentem assim tanta emoção.
Pontos negativos desta experiência:
- O preço (ainda é caro);
- Ficámos um pouco "abananados" depois do salto e apenas queremos saltar outra vez;
- Um certa dor nos ouvidos (a minha foi bastante grande que se prolongou por algumas horas);
- O corpo vicia-se na adrenalina.
Uma experiência que recomendo!
Beijinhos,
Sílvia
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