terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Black Swan - O cisne negro

Olá Cambada,

Ontem fui ao cinema ver O Cisne Negro. Várias pessoas tinham-me aconselhado a ver este filme, e, uma vez que tinha sido nomeado para os Óscares em várias categorias decidi arriscar. Fiz bem. 
O filme é surpreendente e capta-nos a atenção desde o início até ao fim. Confesso que eu não sabia muito bem a história. Estava à espera de ver a luta de uma bailarina por um papel principal no bailado e uma série de intrigas que a impediriam de realizar o seu objectivo. Mas o enredo é muito mais do que isso. Trata-se antes de uma intriga interior, que a leva a não ter confiança total em si mesma. Uma das melhores frases do filme é: "A única pessoa que está no teu caminho és tu". Penso que esta seja a frase que resume o filme. Até que ponto é que temos confiança nas nossas capacidades? E o que fazemos para superar os nossos medos, os nossos próprios obstáculos? É uma luta interior que revela a loucura da personagem principal. Uma loucura causada pelo excesso de trabalho, a intensa preocupação em ser a melhor, em ser perfeita para conseguir chegar ao topo. É a constante corrida ao pódium, corrida ao poder, à perfeição que podem deturpar a nossa visão, podem transformar a nossa alma e a levar-nos a cometer loucuras e erros morais. 

Até que ponto se vai para ser o melhor de todos? Até onde estás disposto a ir para atingires a perfeição? Valerá a pena todo o sacríficio? Qual é o prémio final? Seremos reconhecidos pelo nosso esforço ou teremos apenas uns 15 minutos de fama? Todas estas questões que são levantadas ao longo do filme. 

A sonoridade, os planos de câmara, as personagens bem trabalhadas, e a excelente performance de Natalie Portman merecem uma ida ao cinema. Aceitem a minha sugestão e não se irão arrepender. 

Até breve, 

Sílvia

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Velhinha encontrada morta

Olá Cambada, 

Fiquei indignada com uma notícia que saiu há pouco tempo no nosso país sobre uma senhora idosa que foi encontrada morta no seu apartamento. Esta senhora estaria morta há nove anos. Nove anos! Não foram nove dias, nove semanas ou nove meses. são nove anos! Inicialmente, presumi que se tratasse de uma senhora isoda sem família, amigos, pois foi completamente esquecida. surpreendeu-me o facto de a senhora ter familiares. Estes, segundo as notícias, terão desconfiado do desaparecimento da senhora e recorreram a certas instituições para tentar desvendar o mistério do seu desaparecimento. Pelos vistos, estas instituições não foram de grande ajuda e os familiares aceitaram. Deixa no ar a ideia de que os familiares fizeram apenas aquilo a que lhes obrigava a consciência. Após uma única tentativa, cruzaram os braços e continuaram a sua vida normal. Que laços familiares existem hoje em dia para não se importarem com alguém da sua família? Eu teria arrombado a porta. Então, não pensaram que, sendo ela idosa, poderia ter falecido? 
Falta ainda mencionar a falta de conhecimento dos vizinhos. Nas grades cidades, andámos sempre numa correria imensa, sem termos interesse em travar amizade com o vizinho do lado. Falo por mim. Eu vivo num "cogumelo" onde existem 44 apartamentos. Não conheço quase ninguém e quase ninguém me conhece. Mal sei quem são os meus vizinhos da frente e do lado. 
É triste como a sociedade se tornou fria, insensível e extremamente egoísta. Todos pensam apenas no seu umbigo, não se importando com quem vive a seu lado. Não existe convívio, não existe inter-ajuda. É cada um por si e salve-se quem puder. 
Mas é exactamente aqui que me surge uma nova dúvida: durante nove amoos, a reforma da senhora não foi levantada, as contas do condomínio nao foram pagas, àguas, luz, gás, tudo iagual. Geralmente, quando faltam pagamentos, as coisas resolvem-se de maneira diferente, e realmente a casa foi leiloada (caso contrário talvez a senhora ainda estivesse falecida dentro do apartamento) mas a segurança social nada fez! E as pessoas do prédio? Apenas reportaram o desaparecimento da senhora em 2002, mas nºao acharam nada estranho. Ninguém terá ouvido o cão a ladrar? Esta senhora morreu numa imensa solidão, tendo apenas a companhia de um cachorrinho. 
É uma notícia triste, mas que revela a realidade dos nossos dias, especialmente nas grandes cidades. A realidade do egocentrismo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Complexo: um Universo Paralelo

Olá Cambada,

Há pouco tempo fui ao cinema ver este documentário sobre uma comunidade no Brasil: o Complexo do alemão, composto por várias favelas. Inicialmente, não gostei muito da ideia de ir ver um documentário sobre favelas. Não achava que me fosse mostrar mais do que eu já tinha visto no filme brasileiro: Tropa de Elite. Estava muito enganada! 
Para quem não viu o filme Tropa de Elite, trata a guerra que existe entre as comunidades e a Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais); o combate ao crime e ao tráfego de droga. Este filme mostra a triste realidade que existe nas favelas brasileiras e no sangue frio dos policiais que entram nas favelas com o intuito de apanhar os traficantes, não tendo limites para obter o que quer. No filme mostram mesmo algumas torturas que fazem para descobrir o paradeiro dos responsáveis pelo tráfego, matando a sangue frio muita gente. Assim, fiquei muito impressionada como se torna quase imprescindível matar a quem se oponha a ajudar a Bope. Quero acreditar que muitas vezes é uma questão de sobrevivência para esses policiais, pois há sempre tantas mortes de parte a parte que nos perguntamos se alguma vez terá fim a tragédia e se essa será a melhor solução. Porém, se não houver alguém a tentar controlar a criminalidade o clima das favelas poderia estender-se a várias cidades. 
Ao ver o filme Complexo: Universo Paralelo temos uma outra perspectiva do mundo das favelas. O filme mostra-nos a humanidade das favelas, quem ali vive, quem tem esperança, quem tenta não seguir o caminho do crime, quem se esforça por melhorar as condições das favelas e quem se entrega à vida da droga. 
É impressionante ver como quem vive lá encontra forças todos os dias para batalhar contra a realidade, a pobreza, as injustiças sociais. Mostram a vida de três pessoas: uma mãe trabalhadora que se recusa a pedir esmola e vai tentando encontrar sempre trabalho que lhe faça colocar comida em casa para os filhos; um senhor Seu Zé que luta pelas melhores condições das favelas (canalizações, recolha do lixo); um jovem que triunfou no mundo da música, tornando-se num exemplo em como não seguir a criminalidade! Porém, mostra também o lado dos traficantes que falam em como é duro não seguir aquela vida, tendo em conta as enormes dificuldades que passam nas favelas, e o mundo do tráfego é algo que lhes proporciona dinheiro fácil. É quase inevitável. 
Acaba por ser um filme forte, não pelas imagens que mostra, mas por nos apercebermos que, apesar de estarmos no século XXI, há muita gente que não dispõe dos mesmos direitos, seja por ter nascido onde nasceu, por azar da vida. Lembro-me de pensar que é sempre uma lotaria viver ali: a qualquer hora pode haver uma bala perdida que mata uma criança que regressa da escola, quando menos se espera o adolescente pega numa arma e mata um policial. 
Porém, apesar de toda a dificuldade, injustiça e pobreza é inspirador ver como pessoas como as retratadas no filme não perdem a esperança, a fé, o sorriso nos lábios, nem o orgulho de serem fruto daquele pedaço de terra. Faz-nos perceber que bem pior do que a triste realidade deles, é ser pobre de espírito como acontece com muito senhor engravatado neste nosso país. 
É realmente um universo paralelo, é uma constante batalha, é uma verdadeira lição de vida!

Escrevam, partilhem e leiam... para que a distância entre nós se torne mais curta!