sexta-feira, 8 de março de 2013

Praga

Olá Cambada!

Espero que estejam todos bem. Eu cá ando entretida com os preparativos para o casamento! Porém, aproveitei esta altura de menos trabalho e os privilégios de ter um noivo a trabalhar na tap (eheheh...) e fui passar uns dias a Praga. Pensei em deixar aqui o meu testemunho para o caso de quererem também visitar esta cidade.

Para quem não quer gastar muito dinheiro é uma boa opção. Eu já visitei Londres e Paris (cidades caríssimas) e achei Praga bastante barata. Os preços são muito equivalentes aos preços de Lisboa, embora nos pontos mais turísticos eles tentem sempre aumentar os preços, mas isso já é o normal. Tentam aproveitar-se muito do facto de lá não haver a moeda euro €, mas as Ckz coroas e tentam praticar preços exurbitantes (pagamos 6€ por um chocolate quente!!!!!!!!!) e dizem que a gorjeta é obrigatória, quando na verdade só se dá o que se quer, tal e qual em Portugal.
Eles são bastante carrancudos, antipáticos e falam com muita agressividade! É preciso estar preparado  para isso, pois é mesmo um choque. São também um pouco mafiosos. Num bar também nos pregaram uma partida. Pedimos um copo de fruta natural de maçã, que na carta dizia que custava 40 coroas. Nós achamos barato e pedimos. Quando nos trouxeram a conta cobraram-nos 4 copos de sumo!!! Nós reclamámos e eis a explicação: na carta o preço corresponde a 0,10 dl, e eles serviram-nos 0,20 dl. Eu achei tão surreal que me deu um ataque de riso. O Zé é que começou a dizer que isso não podia ser e tal, mas pagamos e viemos embora e continuamos a rir durante uns 15 minutos. Pagamos o equivalente a 2,50€, o que até é o normal em Lisboa por um sumo natural. Mas a questão não é essa. É o facto de quererem mesmo enganar! Porém já tinhamos sido avisados de tal. Para se aproveitarem dos turistas colocam preços ao peso e à medida, mas depois servem sempre doses grandes para poderem cobrarem horrores! Surreal, mas deu para rir. Há que ter mesmo muita atenção aos preços das coisas, e muita atenção com os taxis. Nós utilzamos apenas os trasportes públicos, muito bom e com um bilhete podemos apanhar metro, autocarro e eletrico. Funcionam bem. algo muito positivo.No entanto, soubemos de algumas situações em que os taxistas cobram bem mais do que é suposto, por isso é que os hoteis têm um serviço de taxi com preço fixo. Aí não há a hipotese de confusões com o taxista, embora o valor a pagar pelo táxi seja entre os 250 e 500 coroas (depende muito da localização do hotel) enquanto que com um bilhete de 36 coroas consegues chegar ao aeroporto!

Praga tem muitos museus, mas atenção, alguns são uma verdadeira treta, outros valem mesmo muito a pena. Museus que visitamos:

  • Catedral de San Nicolau, com um interior barroco, diferente daquele que se vê em Portugal.
  • Museu do Comunismo (o preço do bilhete é exagerado, mas vale a pena pois é algo diferente e que nos mostra um pouco a violência, e a luta contra o comunismo); 
  • Museu judaico: é na realidade um conjunto de sinagogas, cemitério ... também é puxado, mas vale a pena só pela sinagoga espanhola e pelo cemitério! Aprende-se muito sobre a cultura judaica. É impressionante ver como a comunidade judaica é grande e forte nesta cidade! 
  • Labirinto dos espelhos: é engraçado e diferente! 
  • Torre da televisão: vale a pena pela vista, mas basta ir ao restaurante. Nós pagamos para ir mesmo ao obsercatório, mas a vista é a mesma do restaurante e não se têm de pagar 150 coroas! 
Outros locais onde poderão ir:
  • subir à torre de Petrin pela vista. Nós não subimos porque era um preço exagerado. 
  • Interior de San Vito: nós só entramos até ao "hall", o resto era a pagar, mas até acho que valia a pena. 
  • Subir à torre do relógio, uma alternativa à torre de Petrin, pela vista. 
Têm ainda muitas galerias de arte, museu do absinto, do sexo, da gastronomia...há museus para todos os gostos, mas nem todos receberam bons elogios dos turistas. Há ainda o museu do Kafka, mas convém conhecer a obra do homem, caso contrário "perdemo-nos" no museu. Essa foi uma das razões pela qual não visitamos.

Relativamente aos restaurantes há sempre uma grande oferta: muito fast food internacional e local e os restaurantes têm preços muito semelhantes aos nossos. Dá perfeitamente para fazer uma boa refeição ao almoço e algo mais leve ao jantar! Têm lá o supermercado Albert onde podem comprar sandes e assim... e o marks&spencer também lá existe :) Mas por todo o lado existem as roulottes a vender as salsichas! De vários tipos e tamanhos :)

Para quem gosta de experimentar coisas locais: o vinho quente, realmente bom, mas para mim torna-se enjoativo. É uma espécie de sangria, mais aromatizada, quente! Mas aconpanhando um trdelnik sabe bem. Trdelnik é um doce, um rolo,que pode ter cobertura de açucar e canela, ou recheado com chocolate. Algo tb a experimentar. Os pratos são bastante condimentados, sempre com molhos estranhos e utilizam muito a carne de porco. O joelho do porco é um dos pratos fortes, assim como o goulash, que é uma espécie de ensopado de carne de porco com um acompanhamento um pouco estranho, mas saboroso!

A noite é muito animada. Eles saem muito á noite e por isso há uma grande variedade de bares com música ao vivo. O jazz está muito na moda. Fomos a um bar chamado jazz republic onde a entrada era livre e as bebidas não eram muito caras, mas tb há bares/discotecas e wine bar... um pouco de tudo. Como é uma cidade universitária, há muito jovem na rua... muitos estrangeiros também.

É uma cidade lindissima, barata, com uma cozinha saborosa, grande produção de cerveja, o que atrai muitos turistas. Algo que me fascinou: o absinto ainda se vende naquela terra. Bebem absinto quente e há uma grande variedade de absintos... Nós não provámos, mas encontra-se por todo o lado!

Conclusão: visitem esta cidade porque vale a pena. Um fim de semana prolongado é suficiente para visitar a cidade  e sentir a alma de praga! É bastante acessível a nivel económico! Se tiverem curiosidade e paciência podem visitar este site, onde postei as minhas fotos de praga!

https://picasaweb.google.com/110057256260878987490/Praga?authkey=Gv1sRgCLKJ2oWxhZe4JA






Um bem haja a todos!


  

domingo, 18 de novembro de 2012

Mulheres pioneiras no ensino superior


Olá Cambada,

Mais uma vez venho dar-vos alguma informação interessante. E, mais uma vez, na formação que fiz na Universidade de Coimbra: o papel das mulheres na Universidade. 

Em primeiro lugar devo dizer que enquanto escutava a palestra sobre a emancipação das mulheres no ensino superior, lembrei-me diversas vezes da Sónia Lopes. Pensava sempre, caso ela tivesse nascido no século XIX, ela teria tido o papel da Domitília. 

Algo que me impressionou sempre foi a maneira como a mulher é tratada no mundo islâmico, porém, é uma realidade que encontramos quando estudamos a história da humanidade. A mulher teve que lutar pelos seus direitos, pela igualdade de oportunidades, e neste caso específico o direito à instrução. Foi um tema que me fascinou imenso, pois, hoje em dia, é impensável alguém impedir a instrução a alguém, mas até aos anos 60, qualquer mulher que ousasse entrar no ensino superior era vista como uma calamidade, uma modernidade, algo absurdo. Pensar que já no século XVI, Públia Hortênsia de Castro teve de se mascarar de homem para frequentar a universidade (teoria de André de Resendo baseando-se em factos da vida da senhora e  conhecimentos que ela possuía), caso contrário nunca lhe teria sido permitido frequentar aulas. A instrução era algo que apenas ao sexo masculino pertencia. A mulher começou emancipar-se nos finais do século XIX, mas só a partir dos anos 60 é que o Mundo começou a aceitar de modo positivo o papel da mulher no mundo da política, do trabalho e do ensino. 

Antes de falar da grande pioneira no mundo da educação em Portugal analisemosestes números (referentes à Universidade de Coimbra):
  • Em 1878, 89% das mulheres eram analfabetas;
  • De 1892 até 1911: 20 mulheres frequentaram a universidade de Coimbra; 
  • 1910/1911 - 1ª mulher a frequentar o curso de Direito; 
  • 1924 - 1º decreto de lei que permite a ambos os sexos o uso de capa e batina, pois anteriormente, este era interdito às mulheres. Antes, utilizavam um traje preto, mas semelhante aos traje das enfermeiras militares da 1ªGuerra Mundial; 
  • De 1970-1988 - as matriculas feitas pelo sexo feminino aumentaram em 74,3% 
  • Foi no ano escolar 1983/84 que o número de mulheres superou o de homens, algo que se manteve a partir de 1988 até aos nossos dias. 
  • Em 2000, 60% dos matriculados eram mulheres. 
  • Em 1987, aparece o primeiro e único cartaz da Queima das Fitas com a figura de uma mulher, até aí tinham sido representadas as tricanas ou mulheres como sujeito passivo. 
  • Os cursos "predilectos" das mulheres eram letras e farmácia; hoje farmácia é composto maioritariamente por homens. 
E ainda antes de falar da Domitília, vejam só estas descrições que dizem respeito às mulheres: 

  • «Para a mulher o homem é apenas um meio: o objectivo é sempre um filho.» Nitchze (século XIX); 
  • «No mundo moderno a mulher representa um pouco o papel que no mundo pagão
    representaram os escravos, que no mundo feudal representaram os servos, que no mundo
    monárquico representaram os plebeus. É invencível o receio que ainda existe de a instruir e
    libertar moralmente» (Maria Amália Vaz de Carvalho - http://criticanarede.com/teses/lopespraca.pdf);
  • «Teme-se que as mulheres se tornem sabichonas ridículas, péssimas esposas, mães detestáveis, filhas delambidas e impossíveis» (Cristina Rocha - http://criticanarede.com/teses/lopespraca.pdf)
  Domitília Hormizinda Miranda de Carvalho foi a primeira mulher a matricular-se no ennsino superior. Antes dela, várias mulheres tinham pedido o exame de de farmácia. Caso tivessem experiência de oito oumais anos numa instituição privada, podiam requerer o exame e receber um diploma de qualificação. Porém, estas não frequentaram a Universidade. Esse era uma espaço reservado aos homens. Existe mesmo o nome depreciativo de "estudanta" que era a mulher que dividia o mesmo espaço com os estudantes, mas especialmente dividia o seu leito. Não eram estudantes no verdadeiro sentido da palavra. Muitas vezes também chamadas de "demoiselles", "espécie de ratas chatas", "uma calamidade". (Peço desculpa por não ter os autores destas citações. Estes são apontamentos da palestra que assisti e não consegui encontrar na net os seus autores). Havia um grande temor em enfrentar todas estas mentes fechadas que ainda consideravam que a função da mulher se resignava à educação dos filhos e a cuidar do lar.

Domítilia matriculou-se em 1891 formando-se em Matemática, Filosofia e em 1904 formou-se em Medecina. Teve uma grande importância na história do país: 

  1. Serviu de intermediária entre Salazar e a Rainha D. Amélia (Salazar permitiu que D. Amélia, última rainha portuguesa, pudesse fazer uma visita em 1945); 
  2. Foi uma das primeiras deputadas na Assembleia da República;
Apesar de na 1ª República a mulher estar a conquistar o seu lugar no mundo, foi um longo caminho para que o seu valor fosse equiparado ao dos homens (um caminho que em certos aspectos ainda estamos a percorrer). Só em 1918 sai um decreto de lei que permite às mulheres exercer advocacia: (nos EUA a mesma lei saiu em 1869, no Brasil em 1906, Em Inglaterra apenas em 1919).

De acordo com o código civil napoleónico de 1867, a mulher devia obediência ao marido; deveria acompanhá-lo a todo o lado, exceptuando ao estrangeiro; a casada deveria residir na casa do marido e este podia dispôr livremente dos seus bens. Contudo, não podia sem o seu consentimento hipotecar, adquirir e alienar bens ou contrair obrigações, publicar artigos e apresentar-se em juízo. (em, http://neh.no.sapo.pt/documentos/os_movimentos_femininos_em_portugal.htm) Este código prevaleceu até 1967, ano em que foi aprovado um novo código, onde se previa uma supeioridade e autoridade masculina.

Um outra mulher muito importante e por nós conhecida é a famosa Carolina Michaelis de Vasconcelas, que dizia ter nascido em «Berlim, a metrópole da inteligência». Ela foi a primeira docente na Universidade, primeiro em coimbra e depois pediu transferência para o Porto, para ensinar na universidade recentemente criada (1911). Já a primeira docente catedrática a leccionar numa universidade surge aoenas em 1954.

Interessante é também analisar como deixam a mulher entrar no mercado de trabalho: farmácia e ensino. O ensino sempre esteve relacionado com as mulheres, que eram vistas como as responsáveis pela educação dos filhos. Hoje quando pensamos nos nossos professores primários, geralmente lembramo-nos de mulheres, já em professores da secundária e da universidade, os homens são mais frequentes. Relativamente à farmácia, li em várias publicações e em sites da internet que muitas foram as mulheres que se dedicaram aos cursos de Medecina cirúrgica, pois também consideravam essa uma tarefa para a qual a mulher tinha um dom. A mulher teve que romper com o passado, agarrando as poucas oportunidades que foram dadas à mesma, e conseguiu vencer em várias àreas. Apesar de tudo, convém dizer que, na Universidade de Coimbra ainda não se elegeu uma Reitora. Desde 1290 até 2012, o cargo de reitor foi sempre ocupado pelo género masculino.

É uma questão fascinante, e pesquizando e analisando, temos assunto para duas ou três teses de doutoramento, mas apenas quero lançar a primeira palavra para um futuro debate. Para já deixo-vos com  dois excertos de um texto de uma publicação do jornal "Via Latina", de Coimbra, de 1961, intitulado "Carta a uma jovem portuguesa".

Um bem haja,
 



Cambada de Maburros....

Escrevam, partilhem e leiam... para que a distância entre nós se torne mais curta!