Hoje venho falar-vos de um quadro que vi no Museu de Prado, em Madrid. Fiquei completamente fascinada pela composição deste tríptico. trata-se de um quadro dos inícios do século XVI e revela uma enorme criatividade e coragem de um pintor, ao pintar vários quadros abordando temas religiosos, mas representando seres fantásticos, a nudez humana e faz alusão aos prazeres carnais. são vários os quadros onde poderemos ver essa nudez: "as tentações de Santo antão"; "O Juízo Final", mas, na minha opinião, o melhor é este.
O tríptico começa por apresentar a criação de Adão e Eva, pintando-os com uma brancura que reflecte a oureza do casal. Todo o jardim retrata o paraíso: a calmaria da natureza, beleza e a sempre presente tranquilidade. Porém, há vários pronúncios do pecado, que deixam adivinhar a composição seguinte. De facto, vemos alguns animais estranhos, a corugem (símbolo do infortúnio) e certas rochas que revelam perfis humanos. No entanto, mantem-se fiel ao teor religioso, representando a árvore do pecado original, onde se vê inclusivé uma serpente. De igual modo, pinta optou por representar Eva a Adão, recordando que a mulher foi criada posteriormente ao Homem.
No painel central encontramos o jardim das delícias terrenas, onde faz uma clara alusão ao pecado carnal. Os corpos continuam com uma luz muito branca, o que contrasta com o verde do jardim e os seres fantásticos e diabólicos que ajudam à propagação do pecado na terra. Entra-se num mundo surreal, onde não conseguimos identificar um animal, mas vários representados num só. Homens que se entregam ao prazer, lembrando a todo o observador que o que observam é pecado e que é punível aos olhos de Deus/Igreja. A mente humana que vagueia é que se deixa levar pelos vícios e pecados. Tudo isto nos leva ao inferno. A luz torna-se mais escura, a brancura dos corpos perde o brilho e a cidade incendeia-se. Temos a punição: o sofrimento no Inferno, que nos lembram os autos-da-fé, onde os infiéis e pecadores eram queimados pela Inquisição.
Esta temática é repetida em vários quadros do pintor e de outros da sua época. Porém, Bosch tinha a sua assinatura na nudez e na presença destes seres fantásticos.
Recordo que este senhor morreu em 1516. Por isso, falamos de um homem do século XVI que criou todos estes seres e satirizou io mundo profano e religioso.
Ao deparar-me com quadros destes género consigo aperceber-se da genealidade, complexidade da mente de um pintor, considerado uma inspiração para a corrente do surrealismo (Salvador Dalí) do século XX.
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