Há pouco tempo fui ao cinema ver este documentário sobre uma comunidade no Brasil: o Complexo do alemão, composto por várias favelas. Inicialmente, não gostei muito da ideia de ir ver um documentário sobre favelas. Não achava que me fosse mostrar mais do que eu já tinha visto no filme brasileiro: Tropa de Elite. Estava muito enganada!
Para quem não viu o filme Tropa de Elite, trata a guerra que existe entre as comunidades e a Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais); o combate ao crime e ao tráfego de droga. Este filme mostra a triste realidade que existe nas favelas brasileiras e no sangue frio dos policiais que entram nas favelas com o intuito de apanhar os traficantes, não tendo limites para obter o que quer. No filme mostram mesmo algumas torturas que fazem para descobrir o paradeiro dos responsáveis pelo tráfego, matando a sangue frio muita gente. Assim, fiquei muito impressionada como se torna quase imprescindível matar a quem se oponha a ajudar a Bope. Quero acreditar que muitas vezes é uma questão de sobrevivência para esses policiais, pois há sempre tantas mortes de parte a parte que nos perguntamos se alguma vez terá fim a tragédia e se essa será a melhor solução. Porém, se não houver alguém a tentar controlar a criminalidade o clima das favelas poderia estender-se a várias cidades.
Ao ver o filme Complexo: Universo Paralelo temos uma outra perspectiva do mundo das favelas. O filme mostra-nos a humanidade das favelas, quem ali vive, quem tem esperança, quem tenta não seguir o caminho do crime, quem se esforça por melhorar as condições das favelas e quem se entrega à vida da droga. É impressionante ver como quem vive lá encontra forças todos os dias para batalhar contra a realidade, a pobreza, as injustiças sociais. Mostram a vida de três pessoas: uma mãe trabalhadora que se recusa a pedir esmola e vai tentando encontrar sempre trabalho que lhe faça colocar comida em casa para os filhos; um senhor Seu Zé que luta pelas melhores condições das favelas (canalizações, recolha do lixo); um jovem que triunfou no mundo da música, tornando-se num exemplo em como não seguir a criminalidade! Porém, mostra também o lado dos traficantes que falam em como é duro não seguir aquela vida, tendo em conta as enormes dificuldades que passam nas favelas, e o mundo do tráfego é algo que lhes proporciona dinheiro fácil. É quase inevitável.
Acaba por ser um filme forte, não pelas imagens que mostra, mas por nos apercebermos que, apesar de estarmos no século XXI, há muita gente que não dispõe dos mesmos direitos, seja por ter nascido onde nasceu, por azar da vida. Lembro-me de pensar que é sempre uma lotaria viver ali: a qualquer hora pode haver uma bala perdida que mata uma criança que regressa da escola, quando menos se espera o adolescente pega numa arma e mata um policial.
Porém, apesar de toda a dificuldade, injustiça e pobreza é inspirador ver como pessoas como as retratadas no filme não perdem a esperança, a fé, o sorriso nos lábios, nem o orgulho de serem fruto daquele pedaço de terra. Faz-nos perceber que bem pior do que a triste realidade deles, é ser pobre de espírito como acontece com muito senhor engravatado neste nosso país.
É realmente um universo paralelo, é uma constante batalha, é uma verdadeira lição de vida!
Sem comentários:
Enviar um comentário