Olá Cambada, hoje venho aqui deixar um pensamento. Estive a fazer um grupo de vários padres, freiras, laicos religiosos de várias nacionalidades. Não foi a segunda vez que fiz um grupo deste género: padres italianos (a grande maioria), filipinos, indiano e brasileiros. Chamam-se padres rogacionistas e encontram-se em várias missões por todo o mundo. Em conversa com alguns, pude ver como são tão diferentes e como nós europeus somos preconceituosos, narrow-minded e mesquinhos. Os padres europeus tendem a ser severos, como se vivessem num mundo de penitência, em que é errado ser humano. Quando é que o mundo vai perceber que os padres, freiras e afins são gente mortal? Que têm o mesmo direito de cometer erros, de se divertirem e de terem uma vida! Ser padre requer um pouco mais do que ter habilidade para, requer sacríficio, um chamamento interior, mas isso não os torna superior a ninguém. Por isso recuso-me a tratar de maneira diferente um padre. Daí que nunca casarei pela igreja, não enquanto não encontrar padres que passem uma mensagem diferente.
Nomeio-vos algumas situações que me fizeram pensar na "beatice" e hipócrisia que existe na Igreja. Por um padre estar a tirar fotografias à Catedral de Santiago de Compostela (devo referir que isto representa para os padres não só uma renovação de fé, mas também uma viagem, uma quebra na rotina) perguntaram-me "Porque é que alguns têm a fé no dedo?" Confesso que o Tico e o Teco não captaram logo a mensagem. É verdade que não sou muito perspicaz, mas também não estava à espera de uma crítica daquelas de uma simples laica a um padre. Tentei ignorar...
Todas as manhãs rezavamos as laudes, após as quais o grupo repousava um pouco e eu aproveitava para lhes falar de Portugal. Houve uma senhora do grupo que resmungou a dizer que devíamos rezar não sei quantas coisas. A verdade é que ela ia à minha beira e estava sempre a rezar, variadíssimas coisas, mas quando chegava a hora de criticar ou de mostrar alguma compreensão pelos restantes membros do grupo descobriamos a verdadeira cristã que era.
Criticaram os meus padres (refiro-me aos Filipinos e Indiano pois tinha que falar inglês com eles o que fez com que convivesse mais com este grupo do que com os restantes) por ouvirem Mp3 dizendo que não era de respeito. Enfim, nós Europeus....
Os Filipinos (e também brasileiros) vêem a vida de um ponto de vista diferente, mas conversando com eles encontrei paz e senti-me mais próxima de algo...não da Igreja, mas de algo pacífico. De todas as mensagens que já ouvi, as deles foram as que mais transmitiram paz.
Das poucas vezes que eu falei com o Indiano, falei do Paulo (sorry bro) e do seu ceptismo, e estava à espero de um discurso de reprovação, mas ele deu-me uma mensagem de esperança e de total compreensão. Penso mesmo que se tu, Paulo, ouvisses aquelas palavras, por dois minutos irias pôr em causa o teu próprio cepticismo e irias respeitar mais quem acredita, como o Padre Bito demonstrou todo o respeito pela tua escolha. Foi pelo seu discurso simples e franco que fiquei com uma grande admiração por ele. Assim como os outros padres, que apesar de parecem autênticas crianças a tirarem fotos, contar anedotas, quando chegava a hora de oração e seriedade, as suas palavras eram sinceras.
No final costou-me muito dizer adeus aos meus "five english speaking fathers" como eu lhes chamava. Se houvessem mais padres como eles, penso que as nossas igrejas teriam uma maior participação dos jovens, se bem que perderiam a beatice e o grande apoio dos nossos velhinhos. Mas a verdade é que a mensagem da bíblia já não pode ser transmitida da mesma maneira que era a 50 anos atrás. Penso que ninguém acreditará que foi Deus que criou a terra em 6 dias e ao 7º descansou. (Que me perdoe quem ainda acredita.) O público actualmente é instruído e já não existe a Inquisição para nos impedir de escolhermos outra religião.
Eu tenho a minha fé. Sou católica, não praticante, mas sou cristã e tento ser uma boa cristã todos os dias. Não rezo, pois para mim não tem significado rezar. Apesar de acreditar nas aparições de Fátima, acho que não é por estarmos duas horas a rezar que vamos salvar o mundo. Mas será indo para África, irmos trabalhar para instituições sem qualquer retorno financeiro...isso para mim tem sentido. Daí que eu diga muitas vezes: Sê menos católico e mais cristão!
Espero não ferir susceptibilidades, é apenas o que penso!
Beijinhos,
Sílvia
1 comentário:
Belo pensamento.
O nosso padre de Vermoim era muito sofisticado e pessoalmente o mais porreiro que conheci ate' hoje.
Esses padres de que falas, sao padres com uma percepcao da vida (real e espiritual) muito diferente porque ja tiveram a oportunidade de conhecer novas culturas e provavelmente a personalidade desses padres depende muito do caracter da pessoa enquanto cidadao global.
Uma pessoa que nunca saiu da sua terra natal tem uma percepcao muito diferente da vida.
Acredito na logica do pensamento. De Premisas formulam-se Hipoteses, e inferem-se Conclusoes. As premisas das religoes sao fracas e as hipoteses duvidosas. No entanto as conclusoes continuam inabalaveis. As proprias religioes ja nao ligam muito 'as premisas e 'as hipoteses, concentrando-se simplesmente nas conclusoes, comandadas pela Fe'. A Fe' sera' a renovada estandarte para as religioes no futuro. Fe', sinonimo de "Acredito porque Acredito".
Como tal cada um expressa-se como gosta. Se para ti felicidade e' igualmente atingida com A TUA fe' e sentes-te realizada e em paz de consciencia entao parabens :).
Eu sinto-me feliz e perfeitamente tranquilo com a minha filosofia de vida e isso e' o que me importa.
Adoro ler textos teus "little sister".
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